Hoje foi meu primeiro dia no estágio junto com o Jefferson na Escola Marina Barcelos Silveira, com alunos do Programa Mais Educação. Foi diferente de todos os outros estágios. Estou trabalhando agora com crianças mais ou menos na faixa de 10 a 12 anos. Gostei muito dessa experiência As crianças são mais puras e quando estão realmente gostando do que estão fazendo eles se entregam. Não se importam com o "pagar mico" como dizem os adolescentes que se acham "o dono do mundo", que te enfrentam e fazem cara feia.
Vamos então descrever os procedimentos que tivemos hoje com eles
Sempre começamos com um alongamento, eles adoram. Todos fazem e não reclamam. Eles adoram o que fizemos na aula da Lara que é sentá-los no chão de joelhos dobrados apoiando com o bumbum esticar os braços para a frente então eu e o Jefferson vamos dando uns tapinhas nas costas para relaxar. Eles gostam tanto que fingem que ainda não foram só para ganhar mais "tapinhas", rsrs.
Depois aplicamos o jogo da contação de história, porém fizemos com os olhos fechados. Eles têm grande dificuldade com a concentração. Todos ou a maioria riram, havia uma quebra tamém quando a continuação passava para o outro. Percebi também que muitos deles falam errado, escrevem errado e sem coerência. Fizemos então o seguinte: quando uma pessoa estava contando a história qualquer pessoa que percebesse que a fala estava errada, ou falasse baixo, ou sem articular bem as palavras deveria bater uma palma e então a pessoa que estiver contando a história deverá começar a história do começo. O que mais me deixou tocada foi a falta de criatividade deles. Penso eu que nessa idade é a fase de maior criação, imaginação e invenção, de viajar no pensamento. Fiquei realmente preocupada. Imagino que falta investimento nesses alunos, falta o incentivo.
Depois fizemos um jogo da Viola Spolin onde eles mesmo deveriam ser bonecos e estavam dentro de uma loja de brinquedos. Uns faziam o vendedor. Esse foi o jogo mais produtivo que aplicamos neles, fiquei feliz. Eles se comportaram realmente como bonecos ou robôs. Conseguiram fazer a cena em câmera lenta, fazer sons de bonecos quando apertasse a mão ou algum botão do boneco. Dessa vez conseguir ver um pouquinho da criação deles. O que eu achei interessante foi que no final da cena, onde o vendedor já tinha realizado a sua venda e os bonecos estavam "jogados"um deles passou e desligou e guardou todos os bonecos. Achei incrível a percepção dele pois os outros nem lembraram que os bonecos estavam jogados, talvez por serem pessoas que faziam os bonecos e um deles teve essa percepção.
"Tanto a “pessoa média” quanto a “talentosa” podem ser ensinadas a atuar no palco
quando o processo de ensino é orientado no sentido de tornar as técnicas teatrais tão
intuitivas que sejam apropriadas pelo aluno. É necessário um caminho para adquirir o
conhecimento intuitivo. Ele requer um ambiente no qual a experiência se realize, uma
pessoa livre para experienciar e uma atividade que faça a espontaneidade acontecer."- (SPOLIN Viola)
É importante dizer-lhes sobre o avanço e que eles são capaz. É um reflexo de um procedimento trabalhado que lhes permita esse avanço.
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